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Carlito Amaral fala sobre o próximo espetáculo do "grupo fundo de pote" (Café com a Baronesa)


Carlito Amaral é mais uma vez o entrevistado do domingo no Cantanhede News, desta vez o mesmo vem falar do mais novo espetáculo do grupo de teatro amador Fundo de Pote, que já vem fazendo um publico louvável, em suas apresentações no município de Cantanhede. 
leia aqui a entrevista com Carlito Amaral secretáreio de Cultura de Cantanhede e diretor geral do grupo Fundo de pote.

CANTANHEDE NEWS: O que é o Café com a Baronesa?
CARLITO AMARAL: É um espetáculo de teatro produzido e apresentado pelo Grupo Fundo de Pote.

CANTANHEDE NEWS: Quando acontece?
CARLITO AMARAL: Dia 20 de novembro de 2014 (quinta-feira), dia Nacional da Consciência Negra.

CANTANHEDE NEWS: Onde acontece?
CARLITO AMARAL: Na antiga estação de trem da REFFESA.

CANTANHEDE NEWS: Qual o horário previsto para começar?
CARLITO AMARAL: Oito e meia da noite.

CANTANHEDE NEWS: O que mostra essa história?
CARLITO AMARAL: O espetáculo “Café com a Baronesa” é baseado em dos acontecimentos mais marcantes da sociedade ludovicense na década 1870. O espetáculo tem uma linha cronológica com início no ano de 1858 e término no ano de 1877. No ano de 1876, mais precisamente, no dia 13 de novembro, a senhora Anna Rosa Lamagnère Vianna Ribeiro é acuda de matar o escravo menino Inocêncio de apenas 8 anos. Depois de muitos depoimentos, exame de corpo de delito, exumação do cadáver e disputas judiciais, a futura Baronesa do Grajaú é presa e levada ao tribunal do júri. A senhora Anna Rosa foi acusada também por maus tratos aos seus criados e criadas e pela morte do menino escravo Jacinto, que era irmão de Inocêncio. Dona Anna Rosa era casada com o Dr. Carlos Fernando Vianna Ribeiro, que era chefe do partido Liberal no Maranhão e chegou ao cargo de presidente da província.
O espetáculo foi divido em três partes para facilitar a troca de ambientes. Na primeira parte, serão mostrados os costumes, as tradições, os acontecimentos políticos, literários e os bastidores do solar da Baronesa, um casarão até hoje existente na Rua de São João, ao lado do Museu Histórico e Artístico do Maranhão. Na segunda parte, será a vez dos depoimentos, inquéritos e a entrada de um personagem marcante na história, o promotor de justiça Celso Tertuliano da Cunha Magalhães, que era do partido Conservador e fará de tudo para ter a acusada condenada às galés perpétuas. Na terceira e última parte, acontece o julgamento de Anna Rosa e a áurea da encenação é tomada pelo duelo entre o promotor de justiça, Celso Magalhães e o advogado de defesa, Dr. Francisco de Paula Belfort Duarte. Toda a trama será conduzida por um personagem fictício tirado do romance Os Tambores de São Luís do escritor Josué Montello, o filho da Casa das Minas de nome Damião, que na peça recebe o nome de Damião da Costa da Mina.

CANTANHEDE NEWS: Há um público especifico para ser trabalhado?
CARLITO AMARAL: O espetáculo será aberto e gratuito para todos os públicos, mas nós estaremos promovendo uma chamada nas escolas da rede estadual e municipal de ensino, para que os alunos sejam atingidos pela mensagem, pois o dia escolhido para a exibição da peça, o dia 20 de novembro, dia Nacional da Consciência Negra foi de forma proposital, para que os estudantes reflitam sobre a sociedade escravocrata e seus reflexos na sociedade contemporânea, com ditames do poder político, do poder econômico e o comprometimento de outros setores com os dois poderes citados.



CANTANHEDE NEWS: Como foi o trabalho de pesquisa?
CARLITO AMARAL: A ideia é antiga. Eu vi falar sobre o caso do “Crime da Baronesa”, quando ainda estudante de ensino médio, no Colégio Dom Bosco de São Luís e como sempre tive uma veia histórica e outra artística ficava imaginando como tudo aquilo deveria ter acontecido. O clima que vestiu a cidade, o ringir das carruagens, o roncar dos tambores de mina e os hábitos europeus consumidos em São Luís, a quarta cidade mais importante do país na época.
Quando assumimos a secretaria de Cultura de Cantanhede e passamos a trabalhar os colonizadores da antiga região dos Barbados, descobrimos que a Baronesa do Grajaú era bisneta do colonizador francês, Pierre Lamagnère, que aqui chegou por volta de 1735 e por meio de cartas de sesmarias ocupou várias porções de terra nessa região.
Daí para frente, a curiosidade ficou mais aflorada e depois fomos recorrer ao material de pesquisa mais aprofundado, trabalhos acadêmicos, o livro do escritor Josué Montello, o livro do juiz José Eulálio Figueiredo de Almeida e o processo do Tribunal de Justiça, que tive acesso, por meio do parceiro membro do projeto DNA Cantanhede, o Dr. Washington Cantanhede. Finalmente vem o mais trabalhoso, sintetizar tudo isso numa linguagem para o tipo de tetro que o Grupo Fundo de Pote tem realizado nesses últimos anos em Cantanhede.

CANTANHEDE NEWS: A trilha sonora ajuda a compreender a obra?
CARLITO AMARAL: No trabalho que fazemos à frente do Grupo Fundo de Pote a trilha surge como um fio condutor da trama. As músicas são escolhidas em um processo que consome alguns, mas tem dado muito certo. Neste espetáculo usaremos mais 50 trechos musicais, entre eles citações de Elis Regina, Djavan, Toquinho, Papete, Zak Belica, Richard Strauss, Maurice Ravel, Beethoven, Mozart, Vinicius de Moraes, Grupo Orange, Maria Bethânia, Secos e Molhados, cantores da mina e da capoeira.

CANTANHEDE NEWS: Os personagens são todos reais?
CARLITO AMARAL: É uma obra de ficção e sempre alguns personagens são criados para ajudar a contar a história. No Café com Barra Nova, tivemos o personagem Acauã, que apareceu como irmão de Sebastião Barra Nova. Desta vez, teremos o negro velho Damião da Costa Mina, que saltou das estantes e da imaginação e Josué Montello para apimentar a vontade do promotor Celso Magalhães em querer a punição para a Baronesa, como também, fazer o elo entre o mundo perseguido dos filhos da Casa das Minas e os praticantes da capoeira com a elegância dos saraus que juntavam no mesmo tacho, literários, comerciantes de escravo e políticos.

CANTANHEDE NEWS: Teremos alguns momentos que a história de Cantanhede estará bem presente?
CARLITO AMARAL: Sim! Procuramos na escala do tempo cronológico, um espaço para colocar no mesmo salão de festa uma boa representação de Cantanhede na sociedade daquela época. Imagine um sarau com figuras como Antônio Henriques Leal, Pedro Nunes Leal, Fábio Alexandrino, Miguel Quadros e as irmãs Ana Joaquina e Luzia Perpétua Souto Maior em uma noite que ainda traz Gonçalves Dias, Ana Amélia e a temida Ana Jansen. O salão do solar da Baronesa ficará pequeno para tanta celebridade e figuras queridas e outras odiadas.

CANTANHEDE NEWS: No espetáculo Café com Barra Nova, o público aplaudiu muito no momento da chuva, do arrastamento de Barra Nova e da participação do caixeiro Deco. O que vem por aí?
CARLITO AMARAL: Nós temos uma preocupação de agasalhar os integrantes e suas afinidades. Desta vez, estamos trabalhando para um número de dança que será feito por uma artista francesa, que está em São Luís, para se apresentar no teatro Arthur Azevedo e aproveita para fazer um número na casa da Baronesa. A artista que é também uma personagem fictícia terá o nome de Juliette Debet e vem para o Maranhão de Bayonne, na França, terra natal do bisavô da Baronesa, o senhor Pierre Lamagnère, um dos colonizadores de Cantanhede. Estamos tentando produzir algo diferente em uma das cenas da senhora Anna Rosa, o banho de banheira da Baronesa, um dos ícones de poder e tradução dos costumes europeus na São Luís da época.

CANTANHEDE NEWS: Quantas pessoas estão envolvidas no espetáculo?
CARLITO AMARAL: Toda vez acabamos envolvendo muita gente, desde técnicos, operários, funcionários da prefeitura, voluntários, produtores, atores, atrizes e figurantes. Para o Café com a Baronesa mais 100 pessoas estão envolvidas. Para um evento como este, necessitamos de encanador, marceneiro, eletricista, serralheiro, pedreiro, motoristas, sonoplasta, locutores, maquiadores, músicos e outros profissionais.

CANTANHEDE NEWS: Alguns personagens já estão definidos?
CARLITO AMARAL: Sim! Nós dividimos o espetáculo em núcleos. No núcleo principal estão definidos: o promotor de justiça Celso Tertuliano da Cunha Magalhães (Jozimar Bezerra), o advogado Francisco de Paula Belfort Duarte (João Paulo Rodrigues), o Dr. Carlos Fernando Vianna Ribeiro (Ellylson Rebouças) e a senhora Anna Rosa Lamagnère Vianna Ribeiro (Jacyara Azevedo). Núcleo da festa: Anna Janssen (Jandira Barbosa), João Pedro Dias Vieira (Emerson Costa). Núcleo da dança: artista Juliette Debet (Sarah Ane). Núcleo da justiça: juiz Umbelino Oliveira Lima (Erinaldo Serra), juiz Torquato Mendes Viana (Marcos Santana) e oficial de justiça (Bruno Lázaro). Núcleo policial: o delegado Antônio José da Silva Sá (Sirano Ferreira).

CANTANHEDE NEWS: Sabemos das dificuldades que é montar um espetáculo de teatro numa cidade como Cantanhede. Qual a receita para superar da falta de patrocinadores?
CARLITO AMARAL: É verdade. Temos muitas dificuldades. Primeiro passo para driblar da falta de patrocinadores é usar a criatividade. Aproveitamos o que temos de favorável, como a antiga estação e a boa vontade de muita gente. Hoje, somente a prefeitura tem dado apoio aos nossos espetáculos. O prefeito Zé Martinho tem sido uma espécie de padrinho do grupo. Estamos tentando a lei de incentivo do estado para cumprir um calendário até o final de 2016. O comércio local tem participado de forma acanhada e as instituições instaladas em Cantanhede, como bancos e outras ignoram o nosso trabalho, eles parecem não viver em Cantanhede.

CANTANHEDE NEWS: E depois do Café com a Baronesa?
CARLITO AMARAL: Ainda não apresentamos o Café com a Baronesa e já estamos pesando para três apresentações em 2015. Temos na pauta a nossa primeira comédia “Café no Salão da Beleza” onde várias personagens do dia-a-dia da nossa Cantanhede estarão presentes nas confusões de um salão de beleza. Esperamos bater o recorde de público que até agora é do “Café com Barra Nova”. Temos o projeto da vida e luta do cantanhedense líder da setembrada, José Cândido Moraes e Silva que será o espetáculo “Café no Farol” e pensamos em duas mulheres para um espetáculo bem feminista e para isso estamos trabalhando para definir entre Florbela Espanca ou Frida Kahlo.

CANTANHEDE NEWS: Obrigado pela sua participação.
CARLITO AMARAL: É sempre um grande prazer conversar com os internautas do Cantanhede News e vamos para a realização de mais um espetáculo, pois o povo precisa também de arte.

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