O rio Itapecuru pede socorro...

Com nascente ao sul do Estado do Maranhão, nas fronteiras do municípios de Mirador, Grajaú e São Raimundo das Mangabeiras, no sistema  formado pelas serras das Crueiras, Itapecuru e Alpercatas, a cerca de 530m de altitude,  o rio Itapecuru é considerado um rio tipicamente maranhense e tem uma bacia hidrográfica com 52.972m2, a qual é composta por 45 municípios, sendo 10 ribeirinhos e 35 adjacentes. Além disso, o referido rio possui uma vazão de 23m3/s e deságua na baía de São José, sudeste da ilha de São Luís, desaguando no Oceano Atlântico depois de percorrer 1.450km.

O rio Itapecuru, não é diferente dos demais rios brasileiros, tendo “suportado” ao longo dos anos, severas agressões provocadas pela ação dos homens. Mas até quando esse precioso e importante patrimônio maranhense vai suportar? Ele que foi no passado um rio navegável, grande produtor de peixes e camarões para abastecimento da população ribeirinha, e também, serviu como porta de entrada para a colonização do território maranhense, onde os “desbravadores” usaram-no para chegar aos solos agricultáveis e produzirem algodão e cana-de-açucar, normalmente, utilizados para exportação e base da economia na época. Posteriormente, após a quase exaustão dos solos e por findar o comércio do algodão e aumentar a população das cidades ribeirinhas, vieram outras atividades agropecuárias para o sustento das famílias e geração de fontes alternativas de sobrevivência, como por exemplo, a criação de gado, plantio de arroz, milho e mandioca e implantação de culturas olerícolas às margens do rio, no conhecido sistema de vazante, que por sinal foi muito nefasto quando estava em utilização

Com o aumento da população urbana e o avanço da agropecuária não tecnificada, duas combinações altamente prejudiciais ao meio ambiente, onde tivemos como conseqüência: a disposição inadequada do lixo no leito e margens do rio, despejo “in natura” de resíduos líquidos no seu leito provenientes dos hospitais, das indústrias, das residências, dos matadouros e assoreamento (causado pelo desmatamento ao logo da extensão da bacia hidrográfica).

Portanto, cabe uma ação mais enérgica dos governos e da sociedade, no sentido de reverter ou minimizar os agentes causadores e os efeitos perniciosos ao meio ambiente e às populações que vivem na região. Creio que para isso, seja necessário usar vultosos gastos, mas também, pequenas ações e atitudes de todos os atores envolvidos, como por exemplo, assistência técnica mais presente na vida do homem do campo, a educação ambiental nas escolas, associações, igrejas, nas mídias, nas empresas, fazendo funcionar a educação formal e não-formal, a fim de que possamos prevenir, antes que uma catástrofe se instale, com o fim dos solos agricultáveis, com o fim do surubim, da curimatã, do mandi, do dourado, do anojado, do sarapó, do tubi, da sardinha, do voador, do piau, da branquinha, da viola, da pescada, da piaba, do camarão....

Flavio Lima Costa – Engº Agrônomo e Ambientalista

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