A PÁSCOA DE CHUTEIRAS


Por: Carlito Amaral
Amigos e amigas, desde o domingo, do segundo turno, das eleições de 2014, quando usei as redes sociais para declarar e tentar explicar a razão do meu voto em branco para presidente da república, que não falava sobre política nacional. Vivemos um momento de inteira delicadeza. Nunca em nenhum tempo de nossa história, tivemos um ponto tão fio, com a puberdade de tantos casos de envolvimento com a coluna vertebral da corrupção. As nossas riquezas a escorrer por uma rede contínua, que destruiu as esperanças no modelo atual de goveno e nas arcaicas instituições. Mas qual o modelo que resiste à corrupção? A corrupção é mesmo endêmica? Quando era menino e assistia aos programas eleitorais, percebia claramente que a corrupção era coisa da dita direita, do regime ditatorial, dos coronéis nordestinos e seus apadrinhados. Quem trajava o verde, o amarelo e azul, logo era carimbado e rotulado de corrupto à moda Odorico Paraguaçu, personagem interpretada por Paulo Gracindo. Somente a cor vermelha representava o ser honesto o e digno do voto. Quando me foi conferido o direito do voto, nas eleições de 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010 e no primeiro turno de 2014, vesti-me do mais puro vermelho acreditei que a corrupção seria coisa somente da velha direita. Calcular o quanto o Brasil perdeu desde a minha infância até hoje, seria necessário um conjunto de novas regras matemáticas. Quando parava para presenciar o já contestado horário político eleitoral, ARENA e MDB duelavam nas acusações e a dita esquerda dos perseguidos, injustiçados, sem compromissos com as estatais e as prestadoras de engenharia, bradavam contra o modelo da época. Ao longo dos meus 51 anos, sempre procurei analisar quantos modelos foram testados, iventamos o voto eletrônico, abrimos o pluripartidarismo e elegemos do vereador ao presidente da república. O Brasil saltava para ser um exemplo de democracia. Usar a marcha ré nesses avanços e tolher o direito ao voto seria no mínimo voltar a minha infância ou continuar a culpar as siglas partidárias e os meios de comunicação em um desfile de argumentos que acabam por promover um duelo que aponta a frase mais insustentável dos debates: "mas fulando também roubou", como se a medida e a prova de ser honesto passasse pelo espelho do outro. Não devemos nos iludir ao achar que nos países ditos de primeiro mundo a corrupção não esteja presente. A medida da lógica aponta um dado muito preocupante, a corrupção aumenta à medida que os expostos na vitrine das eleições em sua maioria representa a banda podre da sociedade. O país das novelas, do futebol e das músicas fúteis, onde a sigla BBB reúne mais adeptos que uma sigla partidária já garantiu vaga para a próxima copa do mundo e ainda não conseguiu resolver o problema da água potável, do asfalto, do fim das casas de palha, da produção ou do analfabetismo. Mas quem mesmo tem interesse de resolver tudo isso, se os beneficiários do bolsa família, se acalantam com o prato caro que eles deixaram de produzir. Sempre gostei de política e futebol, e sempre proclamei um aliado discurso de achar que técnico de futebol é muito semelhante à ministro da economia, ou seja, fora do cargo todos têm a receita do sucesso. Volto a escrever sobre política nacional, pois na PÁSCOA DE CHUTEIRAS, quando você olha uma obra onde falta o muro ou uma outra não concluída, falta espaço para grafitar que ali o giz da corrupção esteve presente. Quando aplaudimos um deputado na distribuição de peixes, ratificamos a falta de políticas no setor da produção. E se no final do dia, nos contetamos na sala de casa na expectativa do capítulo das tantas novelas, de quem irá para paredão ou quem vencerá o jogo, estaremos contribuindo para que os corruptos continuem distribuindo peixes, negando escândalos e querendo mudar as regras eleitorais para que eles continuem na vitrine eleitoral.
São Luís/MA
Luiz Carlos Amaral
Bacharel em Comunicação Social/UFMA

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